Os
lábios já não têm mais a motivação de se mover.
As
palavras parecem sumir da minha boca.
Apenas
o lápis funciona com alguma frequência em mim.
Lápis
que traduz os sentimentos nas palavras que saem dele como se só ele fosse o
autor da história.
Os
passos agora estão lentos, os sapatos já foram tirados, sentei-me. Sentei na
beira da estrada, nenhum carro passa, só, na estrada, eu vejo os passos que dei
apagados, vejo os laços que fiz desfeitos.
Só
existe um lápis inteiro lá.
Lápis
pra que eu escreva o que ainda não foi dito pra que isso não seja também lido.
A borracha acabou com o que apagaram de mim.
O
lápis discorre palavras cinza, o jumbo da cor escura carregada do que já foi.
Não dá pra colorir com ele.
O
lápis faz, mas não tem a capacidade do desfazer e se fazer novamente.
Dele
brotam sentimentos e dores. Dele saem as vidas não expostas.
Dele
voam palavras ao vento.
12/08/11


