sábado, 5 de maio de 2012



Desculpe-me a saudade, o engano, o choro.
É que eu me vi livre não querendo ser,
querendo não ter essa liberdade que um dia eu quis
e achei que fosse vida.
Eu me vi criança sem vergonha de ser,
me vi crescida lutando pra entender o que me prende
nesse mundo amargo de adultos.
Vi-me jovem destinada a nada e querendo tudo,
amando tudo, ansiando nada.
Andando nos vales escuros da alma vazia,
pisando em sombras de gente que jazia num terreno anteposto a mim,
mas que tinha meu sangue correndo nas veias.
Vi meus entes ficarem,
desfalecidos no cansaço do mundo,
do corpo,
falecidos de chão mesmo parecendo muito vivos.
Lembrei-me de tudo num sonho passado da noite que acabara de começar.
No arquivo perdido nas cartas que escreveram nos desesperos de outros tempos.
Registraram meus espelhos,
recordaram quem eram em mim.
Desejaram não ser.
Desfizeram o ser e então eu descobri que tudo que tinha ali era eu.
Parte falecida e viva.
Decomposta.
Solitária.
Afogada nas sombras.
Eu descobri que tudo era eu.




sábado, 7 de abril de 2012



E quando o discurso verbal parece desnecessário,
as palavras discorrem no papel carregadas de essência e de voz.
Elas gritam o silêncio que contenho no sim e no não de todo dia,
nas conformidades que só existem externamente,
nos espelhos quebrados que eu deixo no meio do caminho...
Distorcidas palavras timbradas no fundo branco do papel amassado
e largado no canto da parede da sala abandonada,
pisado e esquecido por aqueles que passam
com pés apressados e despercebidos
que os vidros e papéis que pisam são essências destruídas,
de si e de outrem,
essências deformadas,
desemedadas,
quebradas
 nos espelhos que caem. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012



Como podemos não nos curvar diante não da realeza,
mas diante do amor que Ele nos doou?
Ele fora esfacelado, e cada flagelo uma dor, 
uma doença, um pecado.
De sangue e carne Ele é feito, 
sangue santo e carne pura.
Somos parte desse amor, frutos dele.
Mas o que O damos em retorno?
Será mesmo grande a nossa dor,
olhando agora para dor de Maria 
ao ver o rosto massacrado de Seu filho?
Será que fazemos por onde ter nossa Mãe 
silenciosa por nós?
Tantos serás, tantos porquês, 
como respondê-los?
Obedecendo e amando como Ele nos ordenou,
mas não amar pela ordem, mas amar por amor.
Quem dera tivesse sido eu digna de carregar a cruz de meu Senhor.
Quem dera fosse eu a carregá-Lo 
quando Ele já não conseguia mais andar.
Eu não posso andar nunca e Ele sempre me carrega,
Ele sempre nos carrega.
Quem dera fosse eu a carregar a cruz e o meu Amor!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Metalinguística de mim

Entre tudo que eu aprendi,
aprendi a ser intensa, metódica, detalhista.
Aprendi com meus poetas a ser em palavras escritas
o que não sei ser em palavras faladas.
Aprendi a inegável arte de descrever ,em formas e cores,
a essência do que é pra mim o amor
escondido nos parágrafos do meu texto.
Aprendi a ser, em comum acaso, eu.

                                                          04/04/12