domingo, 8 de janeiro de 2012

Falta




Saudade que tem gosto de sal.
Saudade que já não lembra a última vez que não se fez em mim.
Faz doer por já não caber no frasquinho que eu reservei pra ela!
Frasquinho que transbordou e que inundou meu coração.
Saudade que sai pelos olhos que já não suporta sua própria existência.
Saudade que tem identidade, cor, endereço e telefone!
Saudade do café, 
do bom dia, 
de ser acordada com o teu toque 
com a tua voz.
Saudade simples, transparente, visível, 
consequente e consequência.
Saudade que é motivos de pensamento, 
de afogamentos.
Saudade bela, imensurável, 
constante...
Saudade do que foi é e SEMPRE será.
Saudade, Amor!

08/01/12

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Em busca do achado



Distante, parece que tudo não passou de um sonho,
até que o sorriso volta
a inebriar os reais dias de sol
e pintar de amarelo meu jardim de girassóis.
O que já era, descobre o que ainda é luz na vida escura,
a solidão impera nas horas que nunca passam,
desiludidas horas em busca do que já foi achado.
Introspecção no rosto cansado,
incógnita nunca respondida,
o corpo fala com a voz que o coração bravo e encorajado grita,
grita silencioso com receio de ser realmente ouvido,
mas com o desejo de ser ouvido
ainda mais no silêncio  dos momentos em que nada há...
Constante luta de mim com o que eu preciso ou com o que eu quero,
Constante desafio de cada dia longe daquilo que tanto espero.    

03/01/12

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Insubstantivado



Insólida parece a noite na pedra que dei o nome de vida.
Nela eu sento e observo sozinho muitas construções que chamei de passos,
muitos escombros que eu chamei de fracassos,
muitas camas que chamei de laços.

Insólidos são também os pés que fizeram os passos,
as mãos que derrubaram os escombros,
os sins que ataram de laços.

Quantas curvas fizeram as ruas até chegar na casa...
Quantos acidentes presenciei até entender que eram todos necessários...
Quanta poeira ainda terei que tirar pra enxergar o outro lado...

Lado da vida que escolhida fez do meu nada amor.
Amor que só sabe amar de um jeito estranho e seu de ser,
que sabe ser nada no tudo de um alguém.

Vejo tudo de cima da pedra, eu participo da pedra, eu sou a pedra.
Insólida pedra, moldada sempre com um quê de cada mão,
com o quê trêmulo de cada mão
...
                   

  02/01/12

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Escrevo



Escrevo com os olhos cegos de quem quase nunca vê nada de novo.
Escrevo na esperança de traduzir as cegueiras que vivo
no poucos espaços que tomam forma com minhas palavras escuras.
Elas se colocam e se moldam ao que eu sou,
figura perfeita do tudo que se passa,
transmite sensações;

Escrevo na tentativa louca de ser compreendida,
na certeza ilógica de ser incompreendida,
nas inconstâncias que o mundo nos dá
escrevo para apenas apagá-las,
tirando de mim a possibilidade de senti-las.

Escrevo por que tenho as palavras certas pra montar o meu quebra-cabeças,
e assim questiono-me a existência,
descrevo a essência,
faço do papel transparência,
faço das linhas uma estrada sem norte.

Escrevo e com isso fico certa de que
trilho um caminho e que este terá seu fim.
Fim sem cor,
talvez sem luz,
mas um fim...



26/12/11