segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Insubstantivado



Insólida parece a noite na pedra que dei o nome de vida.
Nela eu sento e observo sozinho muitas construções que chamei de passos,
muitos escombros que eu chamei de fracassos,
muitas camas que chamei de laços.

Insólidos são também os pés que fizeram os passos,
as mãos que derrubaram os escombros,
os sins que ataram de laços.

Quantas curvas fizeram as ruas até chegar na casa...
Quantos acidentes presenciei até entender que eram todos necessários...
Quanta poeira ainda terei que tirar pra enxergar o outro lado...

Lado da vida que escolhida fez do meu nada amor.
Amor que só sabe amar de um jeito estranho e seu de ser,
que sabe ser nada no tudo de um alguém.

Vejo tudo de cima da pedra, eu participo da pedra, eu sou a pedra.
Insólida pedra, moldada sempre com um quê de cada mão,
com o quê trêmulo de cada mão
...
                   

  02/01/12

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Escrevo



Escrevo com os olhos cegos de quem quase nunca vê nada de novo.
Escrevo na esperança de traduzir as cegueiras que vivo
no poucos espaços que tomam forma com minhas palavras escuras.
Elas se colocam e se moldam ao que eu sou,
figura perfeita do tudo que se passa,
transmite sensações;

Escrevo na tentativa louca de ser compreendida,
na certeza ilógica de ser incompreendida,
nas inconstâncias que o mundo nos dá
escrevo para apenas apagá-las,
tirando de mim a possibilidade de senti-las.

Escrevo por que tenho as palavras certas pra montar o meu quebra-cabeças,
e assim questiono-me a existência,
descrevo a essência,
faço do papel transparência,
faço das linhas uma estrada sem norte.

Escrevo e com isso fico certa de que
trilho um caminho e que este terá seu fim.
Fim sem cor,
talvez sem luz,
mas um fim...



26/12/11

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ESCRITOS






Crio poesias, faço cartas, rasgo amores,
Encubro tudo com minhas palavras soltas e unidas,
encubro a tristeza do olhar,
deixo explícita a saudade,
as dolorosas e prazerosas sensações
que chamo de sentimentos
transbordam do lápis em forma de estrofes desformes e sem rimas.
Expressão máxima do tudo e do nada,
métricas, formas, espaços,
escolhas de palavras que eu nem escolhi.
Tudo se contradiz, condiz,
nos confins das linhas do caderno de pauta.
Nas letras erradas do que escrevo,
das confusões que descrevo,
no alto relevo
do papel que não apago.
27/11/11

terça-feira, 15 de novembro de 2011


Moldura





A beleza é o acordo entre o conteúdo e a forma.
O conteúdo dito, o conteúdo falado
os sentimento em si fazem sua forma.
Tua forma de pensar de agir.
Mãos delicadas impostas sobre as pernas mostrando timidez
ou sob o queixo em mostra de curiosidade.
Forma de expressão, como devo fazer?
Conteúdo de suas literaturas,
de suas cores,
de seus sons...
Conteúdo de alma branda e branca,
de coração encarnado e encorajado no pouco pelo belo.
Bela forma de ser,
bela e pura forma de olhar,
olhos simples de expressão forte,
expõe minha forma e conteúdo
como um espelho recém-comprado,
sem manchas,
desfeito das máscaras,
olhos sóbrios e cheios de significados.
Qual a diferença entre o conteúdo e a forma?
É o esquadro de quem olha. 

·         Por  Paloma e Juracy numa conversa de facebook.
15/11/11