quarta-feira, 12 de setembro de 2012




Não sou ninguém,
eu não sou nada,
mas sou alguém,
alguém de casa.
De carne e osso.
De sentimento, de olho vivo, de mente ativa.
Alguém que em nada se importa de não ser 


alguém de e não ser ninguém. 
Sou um espelho pra tudo.
Sou um rio raso e muito profundo,
sou uma metáfora incompleta, 
um inconstante estável. 
Um simples e descomplicado alguém que pode ser tudo...
sendo nada. 
Sou eu, alguém que pouco acha de tudo que vê, 
mas que tem muitas opiniões acerca de quase tudo. 
Alguém que não quer muito, 
mas que pelo pouco faz o que for preciso.
 Alguém que quer, que ama, 
que vive, que olha 
e se solta e se aventura num texto sem fim 
que enrola pra desenrolar e muito diz, 
mas pouco fala. 
Eu sou ninguém,eu sou alguém, 
eu sou um tudo,eu sou um nada, 
alguém que fala,se cala e ponto final.



domingo, 5 de agosto de 2012




Levei pro mar todos os meus sonhos,
meus desejos,
minhas dúvidas e minhas memórias.
Dei-os a ele de presente.
Como se aquelas coisas todas fossem sementes.
Eu os joguei, os vi submergir e fui embora.
Senti-me, por muito tempo, vazia de memórias,
sem objetivos (até que os novos aparecessem) e,
contraditoriamente, sem angústia alguma por não tê-los.
Anos depois, voltei àquela mesma paisagem de outrora, àquele mesmo lugar.
Desta vez eram novos os amigos,
as roupas haviam mudado,
os sonhos estavam renovados e nem mesmo os pensamentos 
eram mais os mesmo.
Mas o mar...
Ah, o mar...
Este sim não parecia ter mudado nada,
pude ver o dia em que embalsamei tudo o que tinha lá.
E o mar então se tornou meus sonhos,
meus desejos, meus dias.
Unimo-nos enfim... Fim.  

05/08/12 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sal...


A falta mostra que nada além de um oceano pode nos separar,
mas mesmo assim, se permanece perto, por que você está longe,
mas eu estou aqui e você está sempre em mim...
Você está comigo.
A saudade é o choro da mãe que arruma o quarto de um filho que não voltará,
é lembrar-se do cabelo ao olhar o trigo,
é pensar em muitas cores e enxergar um sorriso lindo.
É lembrar-te, Olívia, pelas páginas de um belo livro.
A saudade é a expressão maior da falta do outro.
É a solidão compartilhada.
Saudade é importar-se, é cuidado. 
Saudade é ouvir música... é ouvir a nossa música.
Saudade...
Saudade...
Saudade...
Sal da idade...

10/07/12

domingo, 1 de julho de 2012


Em.Dor.Fina



Desfizeram meu presente,
Desconsertaram meu passado
Mas não destruíram o futuro...
Desmancharam minhas dores,
Desencravaram meus espinhos
Mas não cicatrizaram as feridas...
Desajeitaram meus nortes
Desmistificaram as perguntas,
Mas não diminuíram minhas dúvidas
Distinguiram meu eu
Desestruturaram meus sentidos
Mas não calaram meu íntimo...
Desapegaram minhas essências
Desacordaram meus dilemas
Desvirtuaram meus sistemas
Mas se esqueceram de mim...
Desisti do meu fim...
Acreditei no meu fim...
E enfim...ele se fez...
01/07/12