segunda-feira, 13 de maio de 2013





Se havia um vaso para quebrar, o nosso quebrou.
Jogou-se no chão a areia junto com as flores. 
Os rastros dos seus pés ficaram nessas partículas finas de adeus. 
Você se foi com passos incertos e nos deixou escorrer para onde não sabíamos.
O vento espalhou nossa vida e deixou cada grão dessa areia fina em um rio fundo, 
num vaso alheio, 
num corte profundo ou dentro de nossos olhos fundidos 
à essência de nossos desejos secretos.
Daquele dia em diante não fomos mais as mesmas.
Nem sabemos ao certo o que somos. 
Só sabemos que não somos mais.
Onde foi parar aquela areia?
Onde está a nossa vida? 
O que restou de nós quando o vento passou e dispersou tudo o que nos pertencia? 
Não é visto o que se foi.
Lembranças de um passado que sumiu com o vendaval e deixou um espaço vazio,
mas sujo com o que restou de saudade e memória daquilo que somos. 
Novos vasos tomaram o espaço e o nosso foi varrido para debaixo do tapete. 
Escondido. 
Como algo que não pode ser visto.
Como quem não deve ser descoberto pra que seus cacos não se espalhem novamente.
As visitas passam, pisam em nós. 
Somos nada. 
Somos pó. 
Moramos no nada. 
Num espaço apertado, escuro, encoberto, desprovido de nós.

12/05/13

domingo, 7 de abril de 2013




A saudade mata, escorre pelo olhos.
Faz aflorar essências encobertas. 
Ela mostra o que há de bom e ruim. 
Pode ser liberdade que prende em um mundo onde 
há tudo exceto aquilo que você mais busca.
Será um cheiro? Um abraço? Uma voz? Será um não, um sim um colo?
Uma mãe, um pai, um namorado, um amigo, alguém mais especial?
Esse alguém é vivo mesmo quando falta, 
esse cheiro faz sonhar mesmo que distante. 
A voz e o colo, então, esses fazem você se sentir o alguém mais bem cuidado e protegido que pode existir... 
A saudade traz lembranças, nós na garganta, vazio no espaço, no peito.
Falta o ambiente, falta o que era presente, falta a companhia.
Falta o por que cuidar, o por que falar.
Saudade é dor que nunca preenche, 
nunca esvazia nunca esquece ou apaga da memória. 
Saudade é seca, é triste, é cinza. 
Saudade falha os gestos, cala vozes, 
guarda abraços, esconde mãos. Desconserta.
Saudade é um barco solto no meio do mundo. 
Ela leva, guarda só pra ela, 
aperta o peito e se guarda em silêncio..
Saudade é simples, é flor com espinhos...
Saudade é uma lembrança vivida todos os dias.


                                                                                         07/04/13


quinta-feira, 21 de março de 2013






                                       Poema a quatro mãos


[...]
Já fechei os olhos umas três vezes pra ver se como mágica você poderia aparecer...
Sem poder, desejei você por perto...
Já fechei os olhos umas três vezes para tentar ouvir
sua voz cantando canções de intimidade para me adormecer...
Sem poder, desejei lhe ouvir aqui perto.
Outras três fechei meus olhos pra tentar sentir seu cheiro...
Quase consegui, mas os espaços dos tijolos que nos
dividem interromperam o que seria sonho.
Sem poder, desejei as sensações da sua presença aqui por perto.
Despi meus olhos, restou o som da sua falta, a música conhecida e seus olhos infusos à imaginação.


21/03/2013

"Minha mais clichê canção de amor."

sábado, 29 de dezembro de 2012


Feliz ano novo!!!





E tudo então se iniciava.
Tudo era começo, tudo era “novo” e todo mundo ria.
O tempo foi passando, os dias se normalizando
e todos se esqueciam de quem, ainda novo, corria rápido.
A surpresa de todas as horas, os relógios, sempre muitos velozes,
nos lembravam das várias obrigações.
Esquecíamos, aos poucos, dos sentimentos do início.
Os dias que começavam sempre cedo.
Os trabalhos que exigiam sempre mais.
As famílias, quase sempre, só vistas aos sábados e domingos.
Os sóis só lembrados aos fins de semana 
ou quando se iam ao fim do dia.
Os meses se passaram, alguns sonhos 
e metas se realizavam aos poucos.
Olhos se uniam, se separavam, se apagavam, brilhavam. Brilham.
Um novo fim chegou, um novo começo também chega com esse fim.
E então, lembramos dos começos passados,
percebemos o que mudou, nos orgulhamos,
ou não, do que fizemos.
Passamos os dias percebidos, ou despercebidos.
Passamos as horas fazendo tanto que não vimos as horas passando.
Façamos do ano que chega não só metas,
e desse começo, que é só projeto, o início de toda tarefa realizada.
NADA SE FAZ SE POR UM BOM PROJETO NÃO FOR ENCAMINHADO.
Que o champanhe e as uvas sejam os primeiros doces 
desse ano que vai nascer,
que os sorrisos e desejos sejam os primeiros de todos os dias
e que não seja necessário sofrer pra lembrar-se dos amigos e de como sorrir e ser feliz é bom!!
Que esse começo ultrapasse o 1º de janeiro.
Feliz 2013!!!

 29/12/12